ORAÇÃO EM LÍNGUAS
"Aquele que
fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o
entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do
Espírito."
I Cor 14,2
Muitas pessoas, ao participar pela primeira vez de um
grupo de oração, e até mesmo pessoas com algum tempo de
caminhada na Igreja, se perguntam sobre a necessidade da oração
e do louvor em línguas.
De fato, com a Renovação Carismática se
expandindo, a oração em línguas se tornou mais conhecida entre
os fiéis da Igreja. Mas, o que é realmente a oração em
línguas?
Ao lermos At 2,3-13 (a vinda do Espírito Santo),
percebemos como o Espírito Santo se fez presente em Pentecostes,
e como houve a primeira grande manifestação da oração em
línguas. Guiados pelo Espírito Santo, os apóstolos que estavam
reunidos no Cenáculo com Maria, começaram a falar em outras
línguas, conforme Espírito Santo lhes concedia que falassem.
Nessa leitura dos Atos dos Apóstolos percebemos o
primeiro entendimento a respeito da oração em línguas:
oração em uma língua diferente não estudada por aquele que
pronuncia, porém entendida.
Mas, a oração em línguas como conhecemos é mais que
isso, é a forma de chegarmos a Deus por meio das nossas
palavras. Quanto nos faltam palavras em nossa língua para nos
comunicarmos com Deus, o Espírito Santo nos inspira palavras
novas, uma nova língua, com a qual podemos louvar e bendizer a
Deus.
Em Coríntios 12,10, encontramos o segundo entendimento
a respeito da oração em línguas, diferente daquele encontrado
nos atos dos apóstolos: Não se trata de falar com os homens,
mas de falar com Deus. É um modo de oração, na qual aquele que
reza em línguas "edifica a si mesmo"(cf. I Cor 14, 4).
Na Igreja de Corinto, esse dom era comum. Todos estavam
familiarizados com ele. Por isso, Paulo não se detém na sua
descrição ou explicação como se tratasse de algo novo ou
desconhecido para seus leitores. Paulo limita-se a disciplinar o
uso desse dom na assembléia corintiana. Daí a dificuldade que
temos hoje para entendê-lo.
"O Espírito vem em auxílio à nossa
fraqueza; porque não sabemos pedir, nem orar como convém, mas o
Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis"
(Rm 8,26).
O dom das línguas não consiste na emissão de simples
gemidos ou suspiros inarticulados. É um discurso humano que tem
a aparência de uma língua incompreensível tanto para o que
fala como para os que o escutam.
É uma forma de oração particular. Não se destina ao
culto público, mas à devoção privada. Não consiste em falar
verdadeiras línguas estrangeiras. Não se produz em êxtase, no
qual se perde o controle racional dos atos.
"Aquele que fala em línguas não fala
aos homens, mas a Deus. Ninguém o compreende: movido pela
inspiração enuncia coisas misteriosas"
(1 Cor 14,2).
Podemos perceber que o dom de línguas é plenamente uma
inspiração dada pelo Espírito Santo. É uma forma de chegarmos
a Deus, pois para orarmos e louvarmos em línguas é preciso que
estejamos abertos a ação do Espírito Santo.
Enfim, a oração em línguas é o cumprimento da
palavra: "falarão novas línguas" (Mc
16,17b), que o próprio Senhor Jesus proferiu aos onze
discípulos após ressuscitar.
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!